A imutabilidade do decreto de Deus é fruto de sua onisciência
Aquilo
que Deus decretou desde a eternidade é imutável. "O meu conselho
permanecerá de pé" (Is 46.10). O conselho eterno de Deus, ou seu
decreto, é imutável. Se ele mudasse seu decreto, seria por uma falha de
sabedoria ou previsão, pois essa é a razão pela qual os homens mudam
seus propósitos. Os homens enxergam algo só depois que acontece, porque
não vêem previamente. Esta, porém, não pode ser a causa pela qual Deus
deveria alterar seu decreto, pois seu conhecimento é perfeito, ele vê
todas as coisas numa inteira perspectiva diante de si.
b. A imutabilidade do decreto de Deus e a aplicação de suas sentenças
Porém, não é dito que Deus se arrependeu? Parece ter havido uma mudança em seu decreto em Jonas 3.10: "Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez".
O
arrependimento é atribuído a Deus figurativamente. "Deus não é homem
para que minta, nem filho de homem para que se arrependa" (Nm 23.19).
Pode haver mudança na obra de Deus, mas não em sua vontade. Pode desejar
uma mudança, mas não pode mudar sua vontade. "Deus pode mudar sua
sentença, mas não seu decreto." Um rei pode sentenciar um malfeitor a
quem pretende salvar, assim Deus ameaçou destruir Nínive, mas com o
arrependimento do povo Deus a poupou (Jn 3.10). Ali, Deus mudou sua
sentença, não seu decreto. Era o que tinha depositado em seu propósito
desde a eternidade.
c. A imutabilidade do decreto de Deus prevê os meios para a salvação
Mas
se o decreto de Deus é imutável e não pode voltar atrás, para que
servem os meios em relação aos fins já determinados? Nossos esforços em
relação à salvação não podem alterar seu decreto.
O
decreto de Deus não afeta meu esforço, pois aquele que decretou minha
salvação decretou-a no uso dos meios e, se eu negligenciar os meios,
condeno a mim mesmo. Homem nenhum raciocina assim: Deus decretou quanto
tempo vou viver, então não usarei de nenhum meio para preservar minha
vida, não comerei nem beberei. Deus decretou o tempo de minha vida
considerando o uso dos meios, assim decretou minha salvação considerando
o uso da Palavra e da oração. Como um homem que rejeita comida mata a
si mesmo, assim aquele que recusa desenvolver sua salvação destrói a si
mesmo. Os vasos de misericórdia foram preparados de antemão (Rm 9.23).
Como são preparados, senão ao serem santificados? Isso só pode ocorrer
por intermédio de meios. Portanto, que o decreto de Deus não nos tire de
empreendimentos santos. Dr. Preston diz algo muito bom: "Tens tu um coração para orar a Deus? É um sinal que nenhum decreto de ira foi promulgado contra ti".
autor: – Thomas Watson - (1620-1686)
site: http://www.mayflower.com.br/2010/06/deus-e-imutavel-em-seu-decreto-thomas.html

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