14/01/2012

DEUS É IMUTÁVEL EM SEU DECRETO

A imutabilidade do decreto de Deus é fruto de sua onisciência

Aquilo que Deus decretou desde a eternidade é imutável. "O meu conselho permanecerá de pé" (Is 46.10). O conselho eterno de Deus, ou seu decreto, é imutável. Se ele mudasse seu decreto, seria por uma falha de sabedoria ou previsão, pois essa é a razão pela qual os homens mudam seus propósitos. Os homens enxergam algo só depois que acontece, porque não vêem previamente. Esta, porém, não pode ser a causa pela qual Deus deveria alterar seu decreto, pois seu conhecimento é perfeito, ele vê todas as coisas numa inteira perspectiva diante de si.

b.         A imutabilidade do decreto de Deus e a aplicação de suas sentenças

Porém, não é dito que Deus se arrependeu? Parece ter havido uma mudança em seu decreto em Jonas 3.10: "Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez".

O arrependimento é atribuído a Deus figurativamente. "Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa" (Nm 23.19). Pode haver mudança na obra de Deus, mas não em sua vontade. Pode desejar uma mudança, mas não pode mudar sua vontade. "Deus pode mudar sua sentença, mas não seu decreto." Um rei pode sentenciar um malfeitor a quem pretende salvar, assim Deus ameaçou destruir Nínive, mas com o arrependimento do povo Deus a poupou (Jn 3.10). Ali, Deus mudou sua sentença, não seu decreto. Era o que tinha depositado em seu propósito desde a eternidade.

c.         A imutabilidade do decreto de Deus prevê os meios para a salvação

Mas se o decreto de Deus é imutável e não pode voltar atrás, para que servem os meios em relação aos fins já determinados? Nossos esforços em relação à salvação não podem alterar seu decreto.

O decreto de Deus não afeta meu esforço, pois aquele que decretou minha salvação decretou-a no uso dos meios e, se eu negligenciar os meios, condeno a mim mesmo. Homem nenhum raciocina assim: Deus decretou quanto tempo vou viver, então não usarei de nenhum meio para preservar minha vida, não comerei nem beberei. Deus decretou o tempo de minha vida considerando o uso dos meios, assim decretou minha salvação considerando o uso da Palavra e da oração. Como um homem que rejeita comida mata a si mesmo, assim aquele que recusa desenvolver sua salvação destrói a si mesmo. Os vasos de misericórdia foram preparados de antemão (Rm 9.23). Como são preparados, senão ao serem santificados? Isso só pode ocorrer por intermédio de meios. Portanto, que o decreto de Deus não nos tire de empreendimentos santos. Dr. Preston diz algo muito bom: "Tens tu um coração para orar a Deus? É um sinal que nenhum decreto de ira foi promulgado contra ti".
autor: – Thomas Watson - (1620-1686)
site: http://www.mayflower.com.br/2010/06/deus-e-imutavel-em-seu-decreto-thomas.html

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